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Mudanças climáticas: como produzir mais energia sem piorar a grave situação?


26/10/2015, 16:39:33

26/10/2015 - 2015 pode ser o ano da virada. Assim pensa Laurence Tubiana. Franzina e elegante, a diplomata de 63 anos é a “embaixadora do clima” da França, encarregada de levar adiante o maior projeto de coordenação de iniciativas já visto até hoje. Há um ano e meio, ela está percorrendo o mundo e falando com negociadores de 195 países, antes da conferência global do clima, prevista para dezembro, em Paris – ou seja, procura assegurar que o encontro se torne um divisor de águas no enfrentamento das questões vinculadas às mudanças climáticas.

Há pelo menos 20 motivos para se temer que Laurence vá fracassar. Desde 1992, quando os países se reuniram no Rio de Janeiro e decidiram evitar ao máximo “as interferências antropogênicas danosas ao sistema climático”, eles já estiveram à mesa de negociação outras 20 vezes, sem que tenham conseguido resultados significativos para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Pelo contrário, nesse período lançamos na atmosfera quase tanto CO2 quanto em todo o século passado. As ondas de calor recordistas agora são cinco vezes mais prováveis que no passado. Grande parte do manto de gelo no oeste da Antártica, relataram os cientistas em 2014, está condenada a desaparecer – o que significa que, nos próximos séculos, o nível dos mares vai subir pelo menos 1,2 metro. Na verdade, já estamos redesenhando o mapa do planeta, sobretudo das zonas mais favoráveis à vida de animais, plantas e seres humanos.

Apesar de tudo, nota-se um inegável resquício de esperança. A China e os Estados Unidos, os dois principais geradores de carbono, anunciaram um acordo para reduzir as suas emissões. Meia dúzia de empresas petrolíferas europeias afirma que aceitaria um imposto sobre as emissões. Um gigantesco fundo de pensões norueguês já se comprometeu a deixar de investir em negócios que utilizem carvão. E o papa vem usando a sua imensa autoridade espiritual a fim de que se adotem soluções para o problema.

Em 2014, as emissões globais de dióxido de carbono resultantes do uso de combustíveis fósseis não aumentaram, mesmo com o crescimento da economia mundial. Ainda serão necessários anos para sabermos se isso se configura uma tendência – mas foi a primeira vez que vimos tal coisa ocorrer. Uma das razões foi a China ter consumido menos carvão que no ano anterior. A geração de energia a partir de fontes renováveis – eólica, solar e hidrelétrica – vem aumentando ali de modo extraordinário, assim como em outros países, devido à queda significativa nos custos. Até mesmo a Arábia Saudita se tornou entusiasta da energia solar. “O planeta chegou ao ponto de virada”, diz Hans-Josef Fell, um dos autores da legislação que facilitou um surto de energia renovável na Alemanha.

Já passamos por tais momentos. No último meio século, criamos um mundo no qual as pessoas vivem, em média, duas décadas a mais que antes, cruzamos os oceanos em um dia quase sem nos darmos conta, nos comunicamos de modo instantâneo e global quase de graça e carregamos bibliotecas na palma das nossas mãos. Foram os combustíveis fósseis que contribuíram para tornar tudo isso possível. No entanto, até meados do século 21, se quisermos evitar uma catástrofe, teremos de seguir adiante impulsionados por outras fontes de energia. Todos os que acham que não temos capacidade para fazer essa revolução não fazem ideia do tanto que já modificamos o mundo. Estamos no meio de uma aventura sem precedentes, tentando conduzir as mudanças de modo a assegurar um futuro mais promissor a todo o planeta.

O romancista americano E.L. Doctorow, há pouco falecido, certa vez descreveu assim o processo de escrever um livro: “É como dirigir um carro à noite: não se enxerga nada além da luz dos faróis, mas isso não nos impede de chegar ao destino”. A tarefa de reequilibrar o sistema climático é similar. Não precisamos ter visão completa de todo o percurso até um destino mais feliz, mas temos de crer que é possível chegar lá. Isso é o que todos vão tentar em Paris. Os negociadores já não acreditam que seja viável almejar um acordo no qual todos os países se comprometam com uma meta de redução de emissões. Em vez disso, o que buscam é uma maneira de “transmitir uma mensagem forte e clara ao setor empresarial”, explica Laurence Tubiana, a fim de “criar a profecia, capaz de se autoconfirmar, de que uma economia desvinculada dos combustíveis fósseis já está acontecendo”. Somente quando olharmos para 2015 a partir do nosso futuro mais quente, vamos saber se este ano foi mesmo o ponto de virada, em que essa visão começou a se tornar realidade.

Fonte: Viajeaqui

Imagem: Viajeaqui


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